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27/05/2026 | Boletim Sindaspi-SC

CHURRASCO CANCELADO: Governo engana trabalhadores e empurra o PCCS para o futuro, quiçá virá


Em reunião marcada pela má-fé, direções da CIDASC e EPAGRI usam lei eleitoral como pretexto para rasgar acordo coletivo; sindicatos abandonam mesa em sinal de protesto e revolta toma conta das bases em todo o Estado.


Florianópolis, 27 de maio de 2026 — O cenário fictício criado pelo Governo do Estado para ludibriar os trabalhadores da Epagri e da Cidasc desmoronou na tarde de hoje. Em uma reunião convocada às pressas, a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, e o presidente da Epagri, Dirceu Leite, anunciaram oficialmente aos sindicatos a decisão do governo de não dar seguimento à aprovação e implantação dos novos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) este ano.

A justificativa oficial, atribuída a um suposto parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), é de que a legislação proíbe o reajuste em ano eleitoral. No entanto, o argumento é recebido pela categoria como uma manobra fria e calculada: o próprio governo empurrou e operou os prazos nos últimos meses justamente para cair na limitação da lei, transformando o PCCS em uma promessa de campanha eleitoral.
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O histórico do engodo: cronologia de uma farsa
A indignação é generalizada. Em 17 de setembro de 2025, os trabalhadores aprovaram o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) condicionado estritamente ao cumprimento do prazo para a implantação do novo PCCS. À época, o governo construiu um verdadeiro engodo para conseguir a aprovação do ACT, incluindo uma cláusula que o obrigava a apresentar uma proposta até 15 de dezembro de 2025.

O prazo não foi cumprido. O governo postergou as negociações sucessivas vezes, ignorando os alertas formais emitidos pelos sindicatos. Na última semana, em reunião chamada pelo Secretário de Estado da Administração, Vânio Boing, houve o compromisso formal de que a implantação ocorreria até o final de maio. Mais uma mentira que passa a integrar a longa trajetória de má-fé capitaneada por Boing, Celles e Dirceu.

No início da reunião de hoje, o presidente da Epagri, Dirceu Leite, tentou abrir os trabalhos relatando um "histórico de conquistas" das categorias na atual gestão — uma tentativa cínica de justificar o injustificável: o fato de que, sob seu comando, as distorções históricas não serão corrigidas e não haverá ganho real nos salários e nas carreiras.

“Poderia ser pior”: A frase da presidente da Cidasc, Celles de Matos, coroou o desrespeito ao afirmar que "poderia ser pior e o governo sequer ter deixado abrir esta discussão". Celles carrega um histórico de posturas truculentas. Durante audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre a escala de trabalho na Cidasc, ela chegou a ameaçar os servidores afirmando que "poderia ter optado por demitir trabalhadores" para justificar o fim da escala de 24x96 (praticada há décadas e pilar do elevado status sanitário de Santa Catarina) e impor a jornada de 12x36.

Carlos Magno: o arquiteto da armadilha jurídica
Um dos papéis mais contestados pelas lideranças sindicais é o do assessor jurídico da Epagri, Carlos Magno. Principal negociador da empresa e do governo, Magno esteve presente em todas as fases da negociação coletiva, sendo o responsável por redigir os acordos e representar a empresa em ações trabalhistas.
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Autodeclarado profundo conhecedor do ordenamento jurídico do Estado, Carlos Magno sonegou deliberadamente a informação sobre os prazos eleitorais em todas as reuniões que participou — fosse na Secretaria de Administração, nas comissões de PCCS ou na diretoria da empresa. Hoje, contudo, ele mudou de postura para capitanear o discurso do governo, blindando o parecer proferido pela PGE na última reunião do Grupo Gestor de Governo (GGG). Ficou nítido o seu protagonismo na construção da armadilha que jogou o PCCS para o impedimento legal.
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A assessoria jurídica do SEAGRO-SC interpelou duramente a mesa sobre as perdas acumuladas da categoria desde o ano passado, quando os sindicatos foram as primeiras vozes a alertar o governo sobre o ordenamento de despesas e os prazos da lei eleitoral. O alerta foi feito por meio de inúmeras comunicações oficiais, todas solenemente ignoradas.

Revolta nas bases e abandono da reunião
Diante do teatro de cartas marcadas e da mentira desnudada, os representantes dos sindicatos se retiraram da reunião em ato de desagravo, recusando-se a legitimar o golpe contra os trabalhadores. A farsa governamental envolveu inclusive, de forma constrangedora, os Diretores Institucionais eleitos pelos trabalhadores, utilizados pela gestão como massa de manobra para tentar chancelar a narrativa oficial.

A reação nas bases foi imediata. O SINDASPI registrou uma explosão de indignação em seus grupos virtuais. O clima é de revolta generalizada tanto nas barreiras sanitárias da Cidasc quanto nas unidades de pesquisa e extensão da Epagri por todo o estado. Os trabalhadores prometem intensificar as denúncias contra a manipulação da mesa de negociação e já articulam forte mobilização para expor os rostos dos culpados por esse estelionato institucional.