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03/02/2026 | Boletim Sindaspi-SC

Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o ‘cheiro das ovelhas’ e o barro das trincheiras.

O falecimento de Frei Sérgio Antônio Görgen ocorreu na manhã de 3 de fevereiro de 2026. De acordo com informações confirmadas pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), ele faleceu aos 70 anos, vítima de um infarto.

Ele estava em sua casa, na região da fronteira, próximo a Candiota, no Rio Grande do Sul, quando sofreu o mal súbito.

Quem foi Frei Sérgio Görgen?
Sua partida marca o fim de uma trajetória profundamente ligada às lutas sociais no Brasil. Aqui estão alguns pontos marcantes de sua vida:

Militância Camponesa: Foi um dos fundadores e principais dirigentes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e teve papel ativo na consolidação do MST.
Carreira Política: Atuou como deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo Partido dos Trabalhadores (PT) entre 1999 e 2002.
Defesa da Agroecologia: Era um intelectual e escritor reconhecido pela defesa ferrenha das sementes crioulas, da soberania alimentar e da agricultura familiar.
Vida Religiosa: Recentemente, em janeiro de 2026, ele havia completado 70 anos e celebrado 50 anos de vida religiosa franciscana, reafirmando seu compromisso com os "pobres e o barro das trincheiras".
A morte de Frei Sérgio foi amplamente lamentada por lideranças políticas e movimentos sociais, que destacaram seu papel como um "pastor com cheiro de ovelhas", sempre presente na base popular.

“Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o ‘cheiro das ovelhas’ e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, comunicou, em nota, o movimento que ajudou a fundar.

“Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, acrescentou o MPA.

Comprometido com a comunicação democrática, ele também esteve à frente da fundação do Brasil de Fato RS, em 2018. A editora-chefe da redação no estado, Kátia Marko, destaca que o religioso sempre foi um comunicador popular, que “sabia conversar com o povo”.

“Em 2018, atendeu de pronto um pedido de João Pedro Stedile para lançar a redação do Brasil de Fato em nosso estado, e a partir do Instituto Cultural Padre Josimo deu todo o suporte para desenvolvermos nosso trabalho. Fará muita falta! Suas análises da realidade nos nutriam e fortaleciam. Era um visionário, como aqueles que sabem de sua missão na terra! Frei Sérgio, estará para sempre presente em nossas vidas”, diz a jornalista.


As informações sobre as cerimônias de despedida de Frei Sérgio Görgen já foram organizadas pela Província Franciscana e pelo MPA. O velório será dividido em duas etapas para permitir que as comunidades onde ele atuou possam prestar as últimas homenagens.

Aqui estão os detalhes confirmados:

 - SINDASPI-SC

‘Profeta da resistência camponesa’
Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio teve atuação voltada à organização social e religiosa de populações do campo. Em 1996, ele participou da fundação do MPA, uma iniciativa criada em um contexto de secas recorrentes e de reivindicações por políticas voltadas à agricultura familiar.

Ao longo da trajetória, recorreu a formas de protesto como greves de fome em diferentes momentos, incluindo mobilizações por crédito agrícola nos anos 1990, contra a Reforma da Previdência em 2017 e atos em defesa da libertação do presidente Lula, em 2018, realizados em Brasília.

Frei Sérgio também foi sobrevivente do massacre da Fazenda Santa Elmira, ocorrido em 1989, episódio que passou a registrar e relatar em livros e textos. Na ocasião, no dia 11 de março daquele ano, uma reintegração de posse comandada pelo então governador de Pedro Simon (MDB), no município de Salto do Jacuí, foi marcada por repressão e violência.

“Não havia razão para tanta fúria. Dezessete pessoas foram hospitalizadas, algumas em estado grave. Vinte e três foram presas. Dezenas com ferimentos de todos os tipos. Nenhuma morte; algo quase milagroso com tanta violência e tanto tiro”, afirmou Frei Sérgio em entrevista ao MST anos depois.

Em fevereiro do ano passado, ele concedeu uma entrevista ao Brasil de Fato no qual relembrou alguns dos episódios dos seus 50 anos de vida religiosa. “A religião não começa quando a gente bota o pé para dentro da igreja, mas ela começa quando a gente esteve na igreja e bota o pé para fora”, afirmou, na entrada da Igreja de Sant’Ana, na comunidade de Posse de São Miguel, interior de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. 

“Essa realidade sempre me acompanhou, porque o reino de Deus, a palavra, a missão que a gente recebe de Jesus de Nazaré, ela se vive no mundo e não apenas nas quatro paredes de uma igreja”, disse na ocasião.

Homenagens Previstas
Diversas frentes estão organizando atos em memória ao Frei:

Místicas do MPA: Estão sendo organizadas "místicas" (momentos de reflexão e canto) em diversos acampamentos e assentamentos pelo Brasil simultaneamente ao horário do sepultamento.
Assembleia Legislativa (ALRS): Deve haver uma sessão solene de homenagem nos próximos dias, dado o seu histórico como ex-deputado estadual.
Sementes da Esperança: Militantes estão sugerindo que a melhor forma de homenageá-lo é através do plantio de árvores e sementes crioulas nesta semana, simbolizando a continuidade da sua luta pela soberania alimentar.
Nota: Devido à grande mobilização esperada de movimentos sociais de várias regiões do estado e do país, recomenda-se que quem for se deslocar para alguma das ocasiões chegue cedo, pois o fluxo de pessoas nos deve ser intenso.

Diversas instituições e movimentos sociais emitiram notas oficiais destacando o legado de Frei Sérgio Görgen. Abaixo, um resumo das principais manifestações de pesar:

Governo Federal e Autoridades
Presidência da República: Foi emitida uma nota oficial lamentando a perda de um dos maiores defensores da agricultura familiar no país. O texto destacou que a dedicação de Frei Sérgio à produção de alimentos saudáveis e à soberania alimentar serve como guia para as políticas públicas do setor.
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA): O ministro Paulo Teixeira manifestou-se pessoalmente, definindo o Frei como "imprescindível" e uma voz profética na defesa dos camponeses.
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
A Direção Nacional do MST publicou uma nota intitulada "Frei Sérgio: Um Pastor do Povo e do Barro". No texto, o movimento relembra a sua participação histórica na ocupação da Fazenda Annoni (marco do MST). Destaca a irmandade entre o MST e o MPA, movimentos que Frei Sérgio ajudou a unificar em torno da pauta da agroecologia. Afirma que "sua luta continua em cada semente crioula plantada no solo brasileiro".
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Como o MPA era a sua "casa" militante, a nota foi carregada de emoção, descrevendo-o como o mentor que ensinou a organizar a esperança. O movimento decretou luto oficial em suas bases e convocou a militância para celebrar a vida de Sérgio através do trabalho na terra.

Via Campesina Internacional
A organização também emitiu um comunicado, reconhecendo Frei Sérgio como um intelectual orgânico cujas ideias sobre soberania alimentar atravessaram fronteiras e influenciaram camponeses em toda a América Latina.

Partido dos Trabalhadores (PT)
O diretório nacional e estadual (RS) reforçaram o papel de Sérgio como deputado que nunca abandonou a ética e os princípios populares, lembrando sua atuação parlamentar voltada exclusivamente para as causas sociais.