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13/03/2015 | Geral

Movimentos sociais saem às ruas de todo o Brasil em defesa da democracia

Duas faces do embate político no Brasil devem se confrontar neste fim de semana. No próximo dia 13 de março, sexta-feira, um conjunto de atos públicos descentralizados pelo país deve reverberar o discurso dos setores progressistas na defesa da Petrobras, contra um suposto golpe direitista pelo desprestígio da empresa estatal, pela reforma política democrática, além de reivindicações das classes trabalhadoras. Dois dias depois, no domingo, 15, setores conservadores insistirão no discurso de impeachment contra a presidenta da República Dilma Rousseff [Partido dos Trabalhadores – PT], na tentativa de deslegitimar o processo eleitoral que reelegeu democraticamente a esquerdista à Presidência em 2014.

 

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Marchas acontecerão em 24 capitais brasileiras. Foto: Reprodução.

 

 

Segundo o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, a intenção dos movimentos sociais e sindicatos é pressionar o governo a colocar na agenda política a pauta da classe trabalhadora, além de cobrar avanços nos direitos trabalhistas, na democracia e na reforma política. Ele defende que Dilma deve se posicionar ao lado dos trabalhadores para que tenha sustentação política nas ruas e faça as reformas necessárias no intuito de prosseguir com um projeto de inclusão social no país. 

 

O sindicalista destaca o que, para ele, seria a diferença entre quem luta para ver a agenda de desenvolvimento cumprida e os que chamou de "derrotados e intolerantes, inconformados” com as conquistas da classe trabalhadora. Em entrevista coletiva concedida no último dia 10 deste mês, durante encontro com representantes do movimento sindical, ele afirmou que a CUT deve combater o "retrocesso” e "qualquer golpismo com o objetivo de acabar com a normalidade democrática”. 

 

"O trabalhador brasileiro precisa ficar de olhos abertos e fazer a comparação das diversas propostas políticas que existem. Questionamos a política econômica aplicada neste momento pelo governo e faremos propostas para alterá-la, para gerar renda e para que os trabalhadores continuem tendo desenvolvimento”, observa Freitas. "Mas não é isso que a onda conservadora está querendo fazer. Os que querem o impeachment da presidenta não estão preocupados com os trabalhadores e com o Brasil, mas só com um terceiro turno das eleições”, disse. 

 

Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Federação Única dos Petroleiros (FUP), além de centrais sindicais como a CUT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) estão à frente da mobilização nas capitais brasileiras. Um total de 24 capitais já confirmou a realização de marchas. 

 

"Essa jornada requer uma ampla mobilização para derrotarmos o golpismo e retomarmos a contraofensiva política contra a direita. No dia 13, vamos ganhar ruas, praças e avenidas em defesa da Petrobras, da indústria nacional e de uma reforma política democrática”, afirma Adilson Araújo, presidente Nacional da CTB. 

 

Pauta de reivindicação 

Em torno da discussão de reforma política, as organizações defendem uma "despersonificação” do processo eleitoral, retirando o foco dos candidatos e valorizando as ideias, como a eleição pelo sistema de voto em lista no Legislativo. Além disso, propõem o fim do financiamento privado das campanhas políticas; maior participação popular, com ações afirmativas para a inclusão de jovens, mulheres e negros na política institucional, com a aprovação da Política Nacional de Participação Popular (PNPS) e o fortalecimento dos conselhos populares e dos movimentos sociais, entre outros pontos. 

 

Já os movimentos sindicais concentrarão seus debates contra as Medidas Provisórias 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial, à pensão por morte e ao auxílio-doença. "São ataques a direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora”, informaram os movimentos em manifesto divulgado para a imprensa.

 

 

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Na pauta, defesa da soberania nacional e demandas das classes trabalhadoras. Foto: UNE.


Defesa da Petrobras 

 

A defesa da Petrobras ocupará espaço central nas marchas, que defendem a manutenção dos recursos nacionais do Estado brasileiro diante da tentativa das classes hegemônicas de privatização, em favor de grupos privados do país e do exterior. "Entre as lutas comuns à classe trabalhadora e aos estudantes brasileiros está a defesa dos recursos naturais do país. Este é um tema recorrente desde a campanha ‘O petróleo é nosso’, na década de 1950, que contou com ampla participação da UNE e levou à criação da Petrobras. Na próxima sexta-feira, 13, estudantes e trabalhadores vão novamente às ruas para defender a soberania nacional sobre essa riqueza, mas em um contexto bem diferente”, publicou a UNE. 

 

Em manifesto assinado e divulgado por um conjunto de entidades dos movimentos sociais e sindical, dentre elas a Central dos Movimentos Populares (CMP), o Levante Popular da Juventude e o Movimento Nacional das Populações de Rua (MNPR), é destacado que as manifestações em favor da Petrobrás são para "defender nosso maior instrumento de implantação de políticas públicas que beneficiam toda a sociedade”. 

 

"É também defender a punição de funcionários de alto escalão envolvidos em atos de corrupção. Exigimos que todos os denunciados sejam investigados e, se comprovados os crimes, sejam punidos com os rigores da lei. Tanto os corruptores, como os corruptos. A bandeira contra a corrupção é dos movimentos social e sindical. Nós nunca tivemos medo da verdade”, afirma o manifesto, referindo-se à Operação Lava Jato, que investiga uma rede de corrupção envolvendo a estatal. "Defender a Petrobras é não permitir que as empresas nacionais sejam inviabilizadas para dar lugar a empresas estrangeiras. Essas empresas brasileiras detêm tecnologia de ponta, empregada na construção das maiores obras no Brasil e no exterior”, acrescenta a nota. 

 

No Rio de Janeiro, onde fica a sede da estatal, o ato do dia 13 será a segunda mobilização da Campanha Nacional em Defesa da Petrobras e do Brasil, encabeçada pela FUP e iniciada, oficialmente, no último dia 24 de fevereiro. "Este é o momento de intensificarmos a luta em defesa da Petrobras e contra todas as formas de retrocessos”, publicou a Federação. Durante um evento em defesa da Petrobras, na capital fluminense, no último mês, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a convocar o "exército do MST” para ajudar na briga contra a oposição.

 

 

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Ex-presidente Lula convocou movimentos populares para ato do dia 13 de março. Foto: CUT.

 

 

Movimento de oposição do governo 

A oposição ao governo, especialmente representantes dos setores conservadores do país, ligados aos partidos políticos de direita e ao empresariado, centrará suas marchas em torno das críticas à presidenta Dilma e à rede de corrupção envolvendo a Petrobras. Dentre eles, estão incluídos os que defendem o impeachment da mandatária. O ato é convocado na Internet pelo movimento Vem pra rua, com expectativa de acontecer em 24 cidades no Brasil, além de Sidney (Austrália), Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), Londres (Inglaterra) e Miami (Estados Unidos). 

 

"Vamos às ruas para resgatar a esperança sequestrada pela corrupção, exigindo mais eficiência e transparência no gasto público e defendendo a redução da carga tributária e da burocracia. (...) Queremos mais concorrência e menos clientelismo”, defende o movimento, em sua página no Facebook. 

 

"Quem está farto sente que o impeachment é a mais rápida solução para interromper essa trajetória desastrosa. Porém, nem todos têm consciência de que o processo de Impeachment é um processo político que requer fundamentos jurídicos – provas legalmente aceitas – para ter alguma chance de sucesso”, pondera o movimento. "Os juristas que nos acompanham, altamente experientes e especializados, não consideram as provas atuais suficientes para o sucesso do impeachment. Ainda. No ritmo das denúncias, isso pode mudar a qualquer momento”, afirma. 

 

O candidato à Presidência derrotado nas últimas eleições e presidente nacional do Partido da Social da Democracia Brasileira (PSDB), Aécio Neves, formalizou o apoio dos tucanos às manifestações do dia 15. Ainda assim, declarou que um processo de impeachment não está na agenda do partido. "O que combatemos aqui é o estelionato eleitoral. A presidenta Dilma Rousseff e seu governo são incapazes de fazer uma mea culpa e vão à televisão dizer que a atual crise economia é decorrente do agravamento da crise internacional e dos problemas climáticos. Isso é menosprezar a inteligência dos brasileiros”, critica, referindo-se ao pronunciamento da presidenta em cadeia nacional de televisão, no último dia 08 de março.

 

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Pronunciamento de Dilma Rousseff no último dia 08 de março. Foto: Reprodução.

 

 

Em contrapartida, o Partido da Causa Operária (PCO) publicou no site da legenda que o ato do dia 15 de março é financiado por uma "direita golpista” disfarçada de manifestação espontânea. "É preciso ter claro quem são as pessoas que estão convocando esse protesto. E quem estará nas ruas nesse dia. Em primeiro lugar, é claro, a imprensa capitalista. Esse monopólio da direita, que condena sem provas e tem feito uma insistente campanha ‘contra a corrupção’, nos moldes das que anteciparam os golpes de 1954 e 1964”, afirmou. 

 

"Em segundo lugar os partidos de direita, com destaque para o PSDB, cujo presidente e ex-candidato à Presidência da República já declarou que considera legítima a manifestação; e cujo senador, José Serra, esteve pessoalmente em protesto realizado em São Paulo, em janeiro, pedindo o Fora Dilma. Estava ao lado de um deputado armado, filho de Jair Bolsonaro [deputado federal pelo Partito Progressista – PP – Rio de Janeiro], que também faz campanha e têm, pai e filho, presença confirmadíssima no 15 de março”, acrescentou. 

 

"Difícil identificar e confirmar quem financia esses grupos, tipo Revoltados online. Mas um levantamento minucioso sobre o movimento Vem pra rua, que organiza esses protestos, indica que são alguns dos homens mais ricos do país”, complementou texto do partido. Circulam informações, não confirmadas, de que manifestantes seriam pagos por partidos políticos e empresários para difundir a mobilização do próximo domingo. 

 

Confira aqui os locais de marchas confirmados para o DIA 13 DE MARÇO: 

* Alagoas: Maceió – Praça Sinimbú, 9h

* Amazonas: Manaus – Concentração na Praça da Polícia, 15h

* Amapá: Macapá - Concentração na Praça da Bandeira, 8h

Caminhada até a Praça do Forte, 10h

* Bahia: Salvador – Itaigara (em frente ao prédio da Petrobrás), 7h

* Ceará: Fortaleza – Praça da Imprensa, 8h

* Distrito Federal: Brasília – Rodoviária, 17h

* Espírito Santo: Vitória (em frente à Universidade Federal do Espírito Santo), 16h30

* Goiás: Goiânia – Coreto da Praça Cívica, 10h

* Maranhão: São Luís – Panfletagem na Praça Deodoro, 7h / Concentração na Praça João Lisboa e passeata na Rua Grande até o final da mesma rua (Canto da Viração) para o Ato Político, 15h

* Minas Gerais: Belo Horizonte – Praça Afonso Arinos, 16h

* Mato Grosso: Cuiabá – Praça da República, 11h

* Mato Grosso do Sul: Campo Grande – Praça do Rádio, 9h

* Pará: Belém – Praça da República, 15h

* Paraíba: João Pessoa – Em frente ao Cassino da Lagoa, 15h

* Pernambuco: Recife – Parque 13 de Maio, Santo Amaro, 7h

* Piauí: Teresina – Praça da Liberdade, 15h

* Paraná: Curitiba – Praça Santos Andrade, 17h

* Rio de Janeiro: Rio de Janeiro – Cinelândia, 15h

* Rio Grande do Norte: Natal – Em frente à Catedral, 16h

* Santa Catarina: Florianópolis – Em frente à Catedral, 14h

* Sergipe: Aracaju – Praça Camerino, 14h

* São Paulo: São Paulo – Avenida Paulista nº 901 (em frente ao prédio da Petrobrás), 15h

* Tocantins: Concentração no Posto do Trevo 2, caminhada na Avenida Tocantins, em Taquaralto, até a Praça da Igreja São Jose, 15h30

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Fonte: Adital