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17/02/2016 | Meio Ambiente

Desmatamento para plantar soja agrava inundações na América do Sul

O fenômeno El Niño trouxe mais chuvas que as habituais ao sul da América Latina, mas por si só não explica as cheias dos rios que nos últimos dias obrigaram mais de 160 mil pessoas a evacuar suas residências no Paraguai, na Argentina, no Brasil e no Uruguai. A mudança climática torna mais intenso esse fenômeno que fez transbordar os rios Paraguai, Paraná e Uruguai, entre outros, mas há mais razões por trás disso.

 

Diversos especialistas atribuem a gravidade das inundações ao desmatamento que ocorreu nos últimos anos no Paraguai, no sul do Brasil e norte da Argentina para o plantio de soja transgênica. O ouro verde geneticamente modificado ofereceu alta rentabilidade nos anos de bonança das matérias-primas, entre 2002 e 2014, e além disso suportava as altas temperaturas daquelas terras antes cobertas de matas nativas.

 

“O aumento das precipitações e a significativa perda de cobertura florestal na Argentina, no Brasil e no Paraguai, que estão entre os dez países com mais desflorestamento em todo o mundo, não permitiram a absorção natural da água”, advertiu o Greenpeace em um documento.

 

O coordenador da campanha de florestas da organização ecologista na Argentina, Hernán Giardini, explica: “As matas e florestas, além de concentrar biodiversidade considerável, têm um papel fundamental na regulação climática, na manutenção das nascentes e cursos de água e na conservação dos solos. São nossa esponja natural e guarda-chuva protetor. Quando perdemos as florestas, ficamos mais vulneráveis às chuvas intensas e corremos sérios riscos de inundações”.

 

Restam apenas 7% da superfície vegetal original da floresta Paranaense ou Missionária, atravessada pelos rios Uruguai, Paraná e Iguaçu, segundo o Greenpeace. “No Paraguai e no Brasil foi praticamente destruída, a maior parte remanescente se encontra na Argentina”, acrescenta a organização ecologista.

 

 

Efeitos de El Niño


“El Niño é um fenômeno cíclico, faz parte da natureza, mas seus efeitos podem ser agravados pelo desmatamento”, afirma Benjamín Grassi, professor de meteorologia na Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai.

 

“O desmatamento desprotege o solo. O tipo de precipitação que temos é torrencial, e muita água em pouco tempo afeta muito o solo nu, porque faz que a água escorra facilmente e danifique estradas, plantações”, acrescenta Grassi.

 

Na Argentina, não só se registram inundações na região do litoral limítrofe com Paraguai, Brasil e Uruguai, como também na província central de Córdoba, onde se reiteram as censuras à soja.

 

“O problema não está necessariamente ligado à precipitação pluvial, mas à ascensão dos lençóis freáticos”, declarou o ministro da Água e Meio Ambiente de Córdoba, Fabián López.

 

“Em consequência de diversas políticas agropecuárias, deixaram de desenvolver os cultivos de inverno, semeou-se menos milho, trigo e alfafa, e mais soja. Isto gerou um desequilíbrio hídrico, nos últimos anos o lençol freático subiu de uma maneira importante e está a poucos centímetros do solo”, descreveu o ministro López.

 

A esses países, que produzem a metade da soja do mundo, a oleaginosa não trouxe só riqueza.

 

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)