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10/12/2015 | Meio Ambiente

Incêndios provocados por madeireiros destroem a Amazônia sem reação do governo

Incêndios, que quase com plena certeza foram iniciados por máfias madeireiras, estão destruindo vastas zonas do Estado do Maranhão, no Brasil. Apesar das petições internacionais, solicitando providências para proteger a singular selva pré-amazônica e os indígenas locais awás, até o momento, as autoridades têm feito muito pouco para conterem as chamas.

 

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Os incêndios florestais no Brasil são iniciados constantemente por madeireiros, como forma de reclamarem o território e imporem o deslocamento forçado das tribos locais. Foto: Survival Internacional
 

 

 

O fogo começou há aproximadamente duas semanas. Os indígenas awás moradores da região vêm colocando em andamento reiterados esforços para extingui-lo, mas deparam-se, nos arredores, com novos focos, originados recentemente. Este padrão indica uma intenção humana consciente de atear fogo à floresta, em lugar de apontar incêndios florestais naturais, próprios da estação seca. Em outras zonas brasileiras, madeireiros foram identificados ateando fogo, com o objetivo de forçarem a saída dos povos indígenas de suas próprias terras.

 

Esses incêndios vêm em seguida a um incidente similar, que ocorreu, no último mês de novembro, no território indígena de Arariboia, cujos focos só foram extintos muito depois do seu início. Estima-se que o fogo, surgido no território de um grupo de awás isolados, também foi provocado por madeireiros.

Um homem awá afirmou: "Como vamos ficar sem nossos alimentos e sem nossa selva? O fogo está destruindo os animais, estamos muito preocupados. Os madeireiros estão colocando fogo em nossa selva. Temos visto madeireiros armados! Temos tentado controlar as chamas em um lugar, mas aparecem em outro”.

 

 

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Muitos awás na região não têm contato com o mundo exterior, sendo altamente vulneráveis a ameaças externas, como doenças. Foto: Domenico Pugliese/Survival.
 

 

O Governo do Estado do Maranhão enviou apenas um apoio mínimo à região para salvar a selva e os awás locais. É uma postura coerente com sua atitude junto às tribos, no passado, sendo um possível resultado dos laços estreitos entre alguns funcionários do governo local e a poderosa máfia madeireira.

 

Durante um discurso proferido para alguns latifundiários, há alguns meses, um deputado pelo Estado do Maranhão, Fernando Furtado, disse que os indígenas amazônicos "são um punhado de pequenos gays”, e que deveriam morrer de fome. Atitudes racistas deste tipo são relativamente frequentes, inclusive, entre políticos, no Brasil

 

A Survival Internacional, movimento mundial pelos direitos dos povos indígenas, está exigindo que as autoridades brasileiras adotem mais medidas para salvarem os awás dos incêndios, e para que os assessorem em seus esforços por preservarem as selvas tropicais. Os povos indígenas são os melhores conservadores e guardiães do mundo natural, mas, quando são abandonados ou ignorados por aqueles que estão no poder, têm escassas probabilidades de salvarem a si próprios ou de protegerem seu habitat da destruição.

 

Stephen Corry, que é diretor de Survival Internacional, declara: "Pode parecer surpreendente aos estrangeiros saberem que os madeireiros estão incendiando deliberadamente a Amazônia, mas isto é o pão de cada dia, no Maranhão. Este é um estado onde a máfia madeireira é o ‘manda-chuva’, e onde há poderosos interesses particulares, determinados a tirarem os indígenas de suas selvas a todo custo, incluindo a destruição dessas mesmas selvas. É do interesse de toda humanidade que o governo extinga os incêndios, capture seus autores e faça com que todo o peso da lei caia sobre eles”.

 

FONTE: ADITAL