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BLOG SINDASPI-SC


25/05/2017 | Movimentos Sindicais

Multidão de trabalhadores toma Brasília e é brutalmente agredida

Com objetivo de pressionar pelo fim dos ataques do Congresso Nacional e do presidente Michel Temer aos direitos dos trabalhdores, cerca de 150 mil pessoas foram a Brasília no ato chamado #OcupaBrasília, dia 24 de maio, sob organização das centrais sindicais e movimentos sociais. Num movimento que muitos militantes dizem nunca ter visto igual, homens, mulheres, jovens e crianças viajaram à Capital Federal, onde se manifestariam contrários às contrarreformas trabalhistas e na Previdência, orquestrada pelo presidente ilegítimo e sua base aliada de deputados e senadores. Números divulgados pelos organizadores do #OcupaBrasília apontam que 41 ônibus partiram de Santa Catarina para se juntar à grande Caravana que somava mais de 900 ônibus de todos os Estados brasileiros. 

A democracia, no entanto, não parece ser algo inteligível para o presidente que obtém rejeição de 92% da população e está sofrendo diversos pedidos de impeachment por fortes ligações em corrupção, assim como para o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, e para o presidente do Senado Eunício Oliveira, que têm por missão de aprovar essas barbaridades contra o povo brasileiro. 

Barbaridades que têm a desaprovação inclusive da maioria dos ministros do TST, AMATRA (associação que representa mais de 40 mil juízes e membros do Ministério Público do Trabalho), advogados e inúmeras entidades sindicais e do movimento social.  

Essa falta de entendimento à democracia pode ser vista desde a oficilização do golpe de estado consumado em 2016 (reconhecido internacionalmente) até ontem, quando a Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada para acabar com a grande manifestação a todo o custo, usando de armas letais e não letais, como bombas de gás lacrimogêneo, gás pimenta, balas de borracha e armas de pólvora. 

Usando do artigo 142 da Constituição Federal, Temer convocou sob decreto, no mesmo dia 24, as forças armadas para manter em Brasília, até dia 31 de maio, a lei e a Ordem nas instituições. Esse mesmo artigo, foi o que deu início ao regime militar que condenou o país à uma ditadura que durou 21 anos e matou e violentou milhares de pessoas. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, foram exterminados cerca de  oito mil indígenas durante o governo militar.   

Por falar em ditadura, neste mesmo dia 24 de maio, começava audiência de julgamento do Estado Brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre a morte do jornalista Wladmir Herzog,  assassinado por agentes da ditadura brasileira em outubro de 1975.  

Leia matéria e veja fotos publicadas pela Mídia Ninja

 

 

Como esperado, a truculência policial foi a resposta dada pelo poder público aos milhares de jovens, homens e mulheres, trabalhadores de todos os cantos do país que vieram dizer a Temer que seu governo golpista chegou ao fim e que o Brasil exige eleições diretas para a Presidência da República.
Uma multidão tomou Brasília, e foi um dos maiores atos já realizados na capital do país.

 

Fotos: Mídia NINJA
Fotos: Mídia NINJA

 

Aproximadamente 200 mil pessoas de todas as regiões do país foram repudiar a tentativa de destruição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o fim da aposentadoria representados pelas reformas trabalhista e previdenciária, que se encontram em tramitação acelerada no Congresso Nacional.
A luta por eleições diretas para a escolha de uma nova chefia do executivo ocupou lugar central na pauta do ato, especialmente após as novas e graves denúncias envolvendo Michel Temer e aliados.

 


Foto: Francisco Proner / Mídia NINJA

 

A concentração para a grande manifestação se iniciou bem cedo. Ainda na madrugada começaram a chegar as primeiras caravanas. Organizadas pelos múltiplos movimentos sociais que construíram o ato, os manifestantes trouxeram consigo muita disposição para barrar a retirada de direitos e para fortalecer o movimento por #DiretasJá que cresce no seio da sociedade.

Após uma breve reunião preparatória, movimentos camponeses, estudantis, de mulheres e diversos outros setores e categorias profissionais marcharam no início da tarde rumo ao Congresso Nacional, onde estava previsto um grande ato com a participação de lideranças políticas e sociais. Entretanto, o que era para ser uma grande festa da democracia, transformou-se em uma selvageria protagonizada pela Polícia Militar.

 


Fotos: Mídia NINJA

 

Durante o trajeto foram relatados casos de provocação gratuita por parte das tropas policiais. Mas foi na chegada à Avenida das Bandeiras, localizada em frente ao Congresso Nacional, que a brutalidade policial se fez perceber de maneira inequívoca: bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, spray de pimenta, tiros de bala de borracha e mesmo de armas de fogo?—?com munição letal?—?deram a tônica da participação da Polícia Militar.

A quantidade de pessoas feridas chamou a atenção: vídeos e fotos de pessoas sendo carregadas começaram a povoar grupos de Whatsapp e postagens nas redes sociais. Do carro de som informaram que um manifestante foi atingido na cabeça por arma de fogo. Posteriormente, a Secretaria de Segurança Pública do DF informou que um manifestante baleado recebeu atendimento em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

 

 

Fotos: Mídia NINJA e Melito/Mídia NINJA

 

A repressão seguiu ao longo de toda a tarde e início da noite. Para completar, o Ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), convocou coletiva de imprensa para informar que o presidente ilegítimo Michel Temer decretou que as Forças Armadas façam a segurança da Esplanada dos Ministérios pelo menos até o dia 31 de maio.

1-4c1F_BTC6Nh2wgleg21wtA (1)E a ordem já está sendo cumprida: fuzileiros navais foram vistos desembarcando de veículos de combate estacionados ao lado do Palácio do Itamaraty e existem relatos de repressão de manifestantes feitos por soldados do Exército na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília.

O uso de munição letal contra manifestantes e a presença das Forças Armadas nas ruas inaugura uma nova fase no conturbado contexto político a que o Brasil foi submetido desde a ascensão de Temer e seu grupo ao Palácio do Planalto.

O recado não poderia ser outro: a democracia não mais existe no país e as liberdades individuais garantidas na Constituição estão suspensas. Soma-se a isso a intransigência do governo e seus aliados em discutir com a sociedade soluções para a grave crise política e institucional pela qual passamos.

Para completar, um congresso atolado em esquemas de corrupção pretende realizar eleições indiretas para a escolha de um novo presidente. Estamos diante de um futuro incerto. É hora de resistir nas redes e nas ruas. Sem democracia não há futuro!

 


foto: Melito/Mídia Ninja

 

Fonte: Mídia Ninja

 

Texto de abertura: Silvia Agostini Pereira- jornalista, assessora de comunicação no Sindaspi/SC