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09/04/2018 | Saúde / Saúde do Trabalhador

Acidentes e doenças do trabalho causam prejuízo anual de R$ 10 bi à economia de SC

Os afastamentos de trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais causam um prejuízo indireto anual de R$ 10 bilhões à economia de Santa Catarina. A estimativa foi divulgada na terça (03), durante o lançamento da campanha Abril Verde, iniciativa de diversos órgãos públicos que busca mobilizar a população para o enfrentamento da questão.
 
Segundo os dados compilados pelo Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, Santa Catarina registrou média anual de 25 mil acidentes de trabalho (oficialmente comunicados ao INSS), entre 2012 e 2017, ocupando o sexto lugar no ranking nacional (4% dos casos). Porém, quando se verificam os afastamentos previdenciários associados a acidentes e doenças ocupacionais no mesmo período, o estado salta para a segunda posição, com um gasto de R$ 1,3 bilhão - nada menos que 9% do valor total de benefícios repassados.
 
 

 
 
“Essa desproporção indica que os acidentes que ocorrem em SC são mais graves e geram períodos de afastamentos mais longos,”, avalia o auditor-fiscal Pedro Henrique Maglioni da Cruz, chefe do setor de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho. “Também é possível presumir que há uma grande subnotificação dos casos de doenças ocupacionais, um problema que é crônico em todo o país”, acrescenta.
 
Dias perdidos
 
Segundo o especialista, entre as cem cidades brasileiras com mais afastamentos acidentários, dez são catarinenses. O estado também é o segundo no ranking de dias de trabalho perdidos por doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Usando uma projeção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o auditor calcula que o impacto indireto à economia catarinense seja de R$ 10 bilhões ao ano.
 
“Esse cálculo considera gastos com tratamentos de saúde, indenizações e a perda de produtividade gerada pelos afastamentos”, explica, destacando que as estatísticas oficiais não incluem trabalhadores informais, autônomos, servidores públicos e domésticos”.
 
Para o procurador do Ministério Público do Trabalho Acir Alfredo Hack a gravidade da situação exige a ampla mobilização da sociedade. “Não estamos falando de pessoas que morrem precocemente ou após a aposentadoria. Falamos de pessoas que são afastadas em plena atividade, gerando não somente o dano irreparável para seus familiares, mas gastos astronômicos, previdenciários e sociais”, disse.
 
O desembargador do trabalho da 12ª Região,  Roberto Luiz Guglielmetto destaca que cresce a percepção de que ambientes de trabalho disfuncionais podem desencadear graves problemas psíquicos e que “é preciso ter clareza de que todos nós pagamos caro pela falta de uma cultura de prevenção”.
 
   
 
Uma morte a cada 3 dias
 
Somente no ano passado, 118 trabalhadores catarinenses morreram vítimas de acidente laboral, o que representa a proporção de uma morte a cada três dias. Entre as atividades com maior número de acidentes estão o trabalho nas fundições de ferro e aço, o atendimento hospitalar e o abate de suínos e aves.
 
Texto e foto: Fábio Borges 
Fonte: TRT 12