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BLOG SINDASPI-SC


01/11/2017 | Eventos

VIII Congresso do Sindaspi reforça a necessidade de lutar por um mundo sem exploradores e explorados

 

O VIII Congresso do Sindaspi/SC realizado em Lages nos dias 26 e 27 de outubro proporcionou aos cerca de 200 presentes o pensar alternativas para a construção de um mundo sem explorados e exploradores diante da atual crise do sistema capitalista mundial a partir de um dos maiores acontecimentos da humanidade, a Revolução Socialista de 1917.

Desde a análise política inicial do coordenador nacional do Movimento Sem Terra, Vilson Santin, seguida das palestras do professor doutor da UFPel em ciências do movimento humano e dirigente nacional do PCB, Giovanni Frizzo, e do jornalista e escritor Bernardo Joffily, no primeiro dia de Congresso, foi possível compreender grandes ensinamentos da revolução. Mesmo em um momento em que o capitalismo ensaiava a crise de 1919, em que a 1ª Guerra Mundial dizimava 70 milhões de pessoas no mundo e causava fome e miséria, a organização proletária na Rússia junto a um partido mostrou ao mundo que é possível a planificação da economia, ao mesmo tempo em que é possível garantir direitos sociais públicos e de concepção libertadora seja na educação, na saúde, no uso da terra e na igualdade de direitos entre homens e mulheres. Foi por meio desse evento revolucionário em que a sociedade “voou” e viveu sua maior emancipação humana.

Conforme Vilson Santin, os movimentos sociais e suas lideranças políticas populares confiaram demais na possibilidade de conciliação de classes e por consequência os movimentos sociais saíram das ruas, acreditaram que suas reivindicações fossem atendidas nos governos de Lula e Dilma hoje, estamos vivendo um período de golpe jurídico-midiático-parlamentar que não precisou sequer dos militares para ser referendado. E, além de os governos não  garantirem ao povo brasileiro reformas estruturais e necessárias como as reformas agrária, tributária, na educação e nos meios de comunicação, o povo trabalhador hoje vive um grande retrocesso onde o pouco de direitos que tinha está sendo retirado sem as reações necessárias. 

 

 

Vilson Santin

Bernardo Joffily

 
Giovanni Frizzo
 

Devemos responder à contrarreforma trabalhista com organização


Ainda no primeiro dia, a apresentação pontual da contrarreforma trabalhista feita pelos assessores jurídicos Leo Bittencourt (Sintraturb) e Caroline Schwarz de Almeida e João Santin (Sindaspi/SC) proporcionou um debate entre as lideranças sindicais e do movimento social sobre a nova lei pensando alternativas, seja por meio de  alterações estatutárias e modos de negociação. De acordo com eles, a nova lei tem três objetivos principais: destruir os sindicatos, retirar direitos do trabalhador e também o acesso dele à Justiça do Trabalho. Por isso, o fortalecimento das organizações sindicais e o trabalho de base se faz ainda mais importante nesse novo momento. 


Apesar de toda a propaganda do governo e dos empresários, grupos e associações de juízes do Trabalho se posicionam contrários à destruição da CLT e devem garantir um novo caminho jurídico de modo a não reconhecer a lei 13.467/2017, pelo fato de ela confrontar princípios constitucionais e convenções da Organização Internacional do Trabalho.

 


 

Homenagens aos que partiram


 

 

 

A emoção tomou conta de todos, no início do atividade, no momento de homenagear os coordenadores Maria Aparecida Raimundo e Gustavo Ramiro Seitenfus, que partiram cedo e deixaram a todos um legado resultante de suas lutas por um mudo justo para a classe trabalhadora.
A família de cada companheiro receberá uma placa de homenagem e agradecimento pela dedicação à luta e por contribuir na construção da história da entidade que completou 29 anos dia 29 de outubro.

 

 


 

O Tropeirismo e sua influência na cultura local 

 

Permeando entre o tema do movimento tropeiro que cruzou o Brasil de norte a sul até início do século XX e deixou marcas na região serrana de Santa Catarina, o debate realizado no Congresso mostrou a formação da cultura local e pontuou mudanças necessárias para vencer a pobreza resultantes da cultura de fazenda patriarcal, machista e a concentração de terras. Geraldo Lockcs,  doutor antropólogo e professor na Uniplac, lembrou também que a sociedade serrana se formou praticamente sem a escrita (a primeira escola foi fundada em Lages somente em 1912), usando a oralidade por meio das contações de causos e histórias.  Entre as observações feitas por Locks foi quanto à demora da organização dos trabalhadores em sindicatos, somente por volta de 1950, e à demora em assentar famílias para a agricultura na região, o que aconteceu apenas no final da década de 1990.

 

Em sua palestra, o mestre em arquitetura e professor da Udesc, Fabiano Teixeira, reforçou o olhar da cultura de fazenda formada pelos tropeiros comerciantes que por ali passavam e erguiam suas casas a partir da observação da arquitetura. Fabiano chama atenção para o fato de que os edifícios existem de forma a atenderem às necessidades de uma sociedade e traduzem suas crenças e modo de vida.  Desde as casas grandes de fazenda de Lages, a disposição dos cômodos até as grandes “taipas” construídas por escravos demonstram esse poderio do patrão que concentrou riquezas e terras com seu empregado, com as mulheres companheiras e filhas, assim como a cultura do compadrio.  Somente conhecendo a história, podemos compreendê-la e abrir novos caminhos futuros.

 

 

 


 

Gênero, feminismo e as lutas das mulheres
 

De acordo com a palestrante Jô Antunes, professora na Uniplac e mestra no tema gênero e do papel que cumpre a  mulher naquela região, a cultura patriarcal fez da mulher um ser subjugado, que passava da propriedade do pai para  propriedade do marido até pouco tempo e que transparece hoje nos altos números da violência contra a mulher. Lages, ocupa atualmente, o 1º lugar em feminicídio em SC e a 17ª no País. Por isso e por uma agenda de muitos retrocessos políticos vividos no Brasil no último ano, Jô Antunes destaca vários desafios e enfrentamentos a serem assumidos pelas lideranças sindicais e sociais nos dias de hoje, que perpassam no mundo do trabalho, na política de inclusão e de acesso à saúde, assim como na educação com a luta contra a recente lei da mordaça (escola sem partido), entre outros.
 

O coordenador Gilmar Espanhol, atenta para o fato de que esse foi o primeiro Congresso do Sindicato a discutir a questão de gênero, de machismo e da violência contra a mulher e espera ampliar esse debate na categoria. Um dos desafios está em garantir o direito à licença maternidade por seis meses a todas as mulheres trabalhadoras.

 


 

 

 

Posse da nova coordenação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A nova coordenação do Sindaspi, intitulada Renovar e Lutar, eleita para comandar a entidade no mês de setembro tomou posse na noite de 26 de outubro, durante o VIII Congresso.

Ao todo, são 62 companheiros, entre titulares e suplentes da Coordenação Estadual, membros da Coordenação Regional e do Conselho Fiscal, com o compromisso de seguir a Carta aprovada neste Congresso que determina buscar a unidade da classe trabalhadora no combate à retirada dos direitos sociais, desmonte dos serviços públicos, precarização do trabalho e o avanço do ideário fascista, que nos últimos anos vem despertando o ódio de classe, de gênero e de etnia, negando o legado da revolução socialista.  

A nova coordenação estadual se reunirá ainda neste mês para programar as próximas ações e planejamento do Conselho Deliberativo do Sindicato.


 

Leia abaixo a Carta do VIII Congresso do Sindaspi/SC



Carta do 8º Congresso do Sindaspi

 

"Mudança se faz com luta, consciência e o melhor querer.
A história, meu companheiro é dura no acontecer.
Por isso, rever adágios da história do nosso povo,
importa quando se quer a estirpe de um homem novo.

(Autor desconhecido)"

 

Os associados do Sindaspi, reunidos em Lages durante os dias 26 e 27 de outubro de 2017, participantes do 8º congresso com o tema: Revolução Socialista de 1917 e Tropeirismo - ratificam a importância de construir espaços para discussão, reflexão e formação, a fim de trazer luzes e encaminhamentos frente os “tempos escuros” que a classe trabalhadora está vivenciando. 

Abordando o centenário da revolução Russa de 1917 a luz da atualidade, compreendemos o importante legado daquele acontecimento histórico para os pobres e trabalhadores do mundo inteiro. Entre os mais importantes está a conquista, pela primeira vez na história, do direito ao voto pelas mulheres, e a instituição de um código legal prevendo direitos sociais, conquistas que posteriormente foram reconhecidas e implantadas em diversos países. Esse período marcou a maior experiência de emancipação humana da história.
 

No mesmo período a serra catarinense vivia o final do ciclo do tropeirismo que durou cerca de 2 séculos e marcou profundamente a história regional. Enquanto a revolução socialista possibilitava a humanidade perspectivas de libertação, aqui caminhava-se numa direção oposta, em que a “cultura de fazenda” perpetuava as relações de subordinação e submissão ao poder dominante local. Assim como na União Soviética a região foi palco de resistência e muitas lutas populares, como a guerra do contestado. Porém a herança desse modelo influencia as relações sociais e econômica e culturais da região até os dias atuais, deixando um legado de submissão e dependência.
 

Na atualidade vivemos um momento de imposição de perdas aos trabalhadores no mundo de modo geral e no Brasil em particular. A recente derrota política materializada no golpe jurídico institucional e midiático e as reformas decorrentes, referendadas pelo Congresso Nacional e legitimadas pelo judiciário impõem à classe trabalhadora a necessidade de se reinventar. A história da luta de classes é incessante e intercala períodos de avanços e retrocessos para os trabalhadores. Por isso, apesar das recentes perdas de direitos e do avanço do ideário fascista, não estamos derrotados.
 

Frente a este cenário, o Sindaspi reafirma o compromisso de estudar e contribuir para a construção de novas formas de lutas de classe que permitam a resistência dos trabalhadores e o fortalecimento dos seus instrumentos de luta para o avanço dos direitos políticos, sociais e econômicos.

Da mesma forma, nos integramos às demais organizações comprometidas com a causa dos trabalhadores no compromisso de promover e participar de espaços conjuntos de formação, planejamento e ações coordenadas. Buscamos assim a unificação da classe trabalhadora no combate à retirada dos direitos sociais, desmonte dos serviços públicos, precarização do trabalho e o avanço do ideário fascista, que nos últimos anos vem despertando o ódio de classe, de gênero e de etnia, negando o legado da revolução socialista.
 

Construído por muitas mãos, o 8º Congresso do Sindaspi, trouxe importantes referências para os novos desafios que se apresentam na atual conjuntura da luta de classes.
 

Sindicato é cada um de nós!

Lages, 27 de outubro de 2017.

 


 

Mas nem só de estudos e palestras o Congresso  se fez. Causos e histórias contadas pela dupla Grillo e Testa e os Recomendadores de Almas de Campo Belo do Sul, a apresentação do grupo teatral Circula-dô e o grupo de danças tradicionalistas gaúchas do CTG Garrão de Potro, também animaram e contribuíam para novos conhecimentos dos congressistas e convidados sobre a cultura dos habitantes da serra catarinense. lém dos Congressistas, foram convidados e se fizeram presentes representantes de diferentes entidades sindicais, como o Fórum Sindical Serrano, de organizações do movimento social da região e do estado - como a Frente Brasil Popular e do Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino -, o deputado estadual Dirceu Dresch - representando a bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa de SC - e o vereador de Lages  José Amarildo Farias (PT), assim como familiares e amigos. Ezequiel Linhares da Costa, coordenador estadual do Sindaspi/SC, afirma que mais de seiscentas pessoas passaram pelo evento.
 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto de  Silvia Agostini Pereira - jornalista